
Moçambique deu mais um passo estratégico no desenvolvimento do seu potencial energético com o lançamento do casco da plataforma flutuante Coral Norte FLNG, um projecto que deverá duplicar a produção nacional de gás natural liquefeito (GNL) a partir de 2028. A cerimónia decorreu na sexta-feira (16), nos estaleiros navais de Geoje, na Coreia do Sul, e contou com a presença de representantes do Governo moçambicano e dos parceiros do consórcio da Área 4 da Bacia do Rovuma.
A petrolífera italiana Eni, operadora do projecto, anunciou que o lançamento do casco decorreu dentro do calendário previsto, reforçando a confiança no cumprimento dos prazos estabelecidos. A Coral Norte FLNG será a segunda unidade flutuante de GNL a operar nas águas ultraprofundas ao largo de Cabo Delgado, juntando-se à Coral Sul FLNG, que entrou em produção em 2022.
Concebida com base na experiência acumulada no projecto Coral Sul, a nova plataforma foi desenhada para apresentar maior eficiência operacional, melhor desempenho tecnológico e redução de custos, factores considerados essenciais para minimizar riscos de execução e assegurar o arranque da produção em 2028.
Com capacidade de liquefacção de 3,6 milhões de toneladas por ano, a Coral Norte permitirá elevar a produção total de GNL de Moçambique para cerca de 7 milhões de toneladas anuais. Este volume deverá posicionar o país como o terceiro maior produtor e exportador de GNL em África, reforçando a sua relevância no mercado energético internacional.
O projecto resulta da Decisão Final de Investimento assinada em Outubro, em Maputo, entre o Presidente da República e a liderança da Eni. A Coral Norte será operada pela Eni em nome da Rovuma Mozambique Venture, consórcio que integra ainda a ExxonMobil e a China National Petroleum Corporation, enquanto a ENH, a KOGAS e a ADNOC detêm participações adicionais.
Avaliado em cerca de 7,2 mil milhões de dólares, o investimento prevê a criação de aproximadamente 1.400 postos de trabalho directos para moçambicanos, incluindo programas de formação e capacitação de quadros nacionais no sector de petróleo e gás. O plano contempla igualmente seis poços de produção e uma unidade de liquefacção flutuante instalada em alto-mar.
Autoridades e analistas consideram que o avanço do projecto Coral Norte reforça a posição de Moçambique no panorama energético global e poderá gerar receitas significativas nas próximas décadas, num contexto em que o gás natural é visto como um combustível de transição para uma economia de menor impacto ambiental. (PHUMO)






