
A dívida pública de Moçambique voltou a crescer no terceiro trimestre de 2025, atingindo cerca de 15,1 mil milhões de euros, o valor mais elevado já registado, segundo dados do Boletim da Dívida Pública divulgado pelo Ministério das Finanças.
De acordo com a Lusa, o montante representa um aumento de 1,5% face ao trimestre anterior e corresponde a aproximadamente 73% do Produto Interno Bruto (PIB), mantendo o país numa trajectória considerada de elevado risco orçamental. O agravamento resulta, sobretudo, da expansão da dívida interna, que passou de 5,9 mil milhões para 6,2 mil milhões de euros.
O relatório indica que o crescimento da dívida foi impulsionado por operações de refinanciamento de dívida de curto prazo, adiantamentos concedidos pelo Banco de Moçambique ao Tesouro e pela rolagem de Obrigações do Tesouro com vencimento previsto para 2025. Estas operações inserem-se numa estratégia de gestão passiva da dívida, num contexto de espaço orçamental limitado.
Entretanto, o Banco de Moçambique voltou a classificar o risco soberano do país como “nível severo”, no seu mais recente boletim de estabilidade financeira. A instituição sublinha que o peso da dívida sobre o PIB permanece elevado e que o rácio entre o crédito concedido ao Governo e o total do crédito bancário continua anormalmente alto, situando-se em 44,8% em Junho, ainda que abaixo dos 46% registados no final de 2024.
No plano governamental, a ministra das Finanças, Carla Louveira, reconheceu em Outubro que a sustentabilidade da dívida pública constitui um dos maiores desafios da economia nacional, confirmando que estão em curso reformas estruturais para reforçar a sua gestão. Entre as medidas anunciadas consta a contratação da consultora norte-americana Alvarez & Marsal, responsável pela elaboração do novo plano de reestruturação da dívida pública e da Estratégia da Dívida 2026-2029.
Nas últimas semanas de 2025, o Governo realizou ainda uma operação de troca de Obrigações do Tesouro superior a 111,6 milhões de euros na Bolsa de Valores de Moçambique, com o objectivo de alargar os prazos de vencimento e aliviar a pressão de liquidez de curto prazo. Paralelamente, o Estado colocou cerca de 106,1 milhões de euros em novas emissões entre 26 e 29 de Dezembro.
Estas operações somam-se a outras seis realizadas entre Março e Setembro, que totalizaram 355 milhões de euros, confirmando uma estratégia assente no recurso contínuo ao mercado interno, num cenário em que o financiamento externo continua condicionado.



