
Empresários da província de Cabo Delgado acompanham com expectativa, mas também com prudência, os sinais de possível retoma do projecto Mozambique LNG, liderado pela multinacional francesa TotalEnergies, quase cinco anos após a sua paralisação devido à insegurança provocada pelos ataques armados na região.
Na península de Afungi, local onde está instalado o projecto de gás natural da Área 1 da bacia do Rovuma, já se observam movimentações preliminares de empresas e prestadores de serviços que aguardam o reinício efectivo das operações. Contudo, a participação directa de empresas locais ainda é limitada, segundo representantes do sector privado.
De acordo com declarações avançadas ao jornal O País, o representante da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) em Cabo Delgado, Mamudo Irache, afirmou que, apesar do ambiente de expectativa, ainda não há contratos formalizados com empresários locais. “Há algum movimento, mas até ao momento não existe registo de empresas contratadas para executar trabalhos concretos”, referiu.
Impacto económico e lições da suspensão
A interrupção do projecto Mozambique LNG teve consequências profundas na economia provincial e nacional, provocando a falência de milhares de empresas, perda de postos de trabalho e quebra significativa de receitas. Ainda assim, o sector empresarial reconhece que a suspensão foi inevitável face ao cenário de instabilidade vivido na província.
Durante o período de paralisação, o empresariado local apostou na capacitação técnica e organizacional, preparando-se para responder às exigências de um dos maiores projectos energéticos de África. Segundo Irache, actualmente existem empresas locais com capacidade para actuar em diversas áreas, incluindo fornecimento de alimentos, serviços logísticos, construção civil e tramitação de documentação de trabalhadores expatriados.
Desafios persistem em Afungi
Apesar do optimismo moderado, persistem preocupações relacionadas com o acesso à península de Afungi e o alegado isolamento da zona, factores que podem limitar a integração efectiva das empresas locais na cadeia de fornecimento do projecto. Empresários defendem maior clareza sobre os mecanismos de contratação e inclusão do conteúdo local.
O Mozambique LNG estava inicialmente previsto para entrar em operação em 2022, sendo considerado um projecto estratégico para o desenvolvimento económico de Moçambique. No entanto, os ataques armados em Cabo Delgado forçaram a suspensão das actividades, adiando um investimento avaliado em vários milhares de milhões de dólares.
Com a melhoria gradual das condições de segurança, o sector privado aguarda agora que os anúncios se traduzam em acções concretas, capazes de relançar a economia local e devolver confiança aos empresários que há anos apostam no potencial energético da região. (vozurbano)




