Na Cidade da Matola, o silêncio que se seguiu às manifestações pós-eleitorais de 2024 foi quebrado por vozes que recusam o esquecimento. A Aliança Mulher ANAMOLA (AMA) realizou, no passado 20 de dezembro, um evento solidário em homenagem e apoio às vítimas da violência policial registada no período pós-eleitoral, reafirmando a urgência de justiça, assistência e reconhecimento institucional.

A iniciativa reuniu mais de 40 sobreviventes, muitos acompanhados pelos seus filhos, num espaço concebido para escuta, partilha de experiências, solidariedade e fortalecimento emocional. O encontro decorreu num contexto marcado pela frustração face a promessas governamentais não cumpridas, sobretudo no que diz respeito à assistência médica, psicológica e social às vítimas.
Sob a liderança da Coordenadora Nacional da AMA, Flávia Nhavoto, e com o apoio da Comissão Executiva da Cidade da Matola, o evento contou com a presença do Coordenador da Cidade, Tonito Cipriano, e da Coordenadora Local da AMA, Cristina Mulungu, sinalizando um compromisso político e institucional com a causa das vítimas.

Um ano depois, a dor continua
Mais de 12 meses após os acontecimentos, várias vítimas denunciaram o que classificam como abandono do Estado. Relatos apontam para ferimentos graves não tratados, dores persistentes e traumas psicológicos profundos, agravados pela falta de acesso aos cuidados prometidos. O impacto estende-se às famílias, afetando diretamente crianças que convivem diariamente com as consequências físicas e emocionais da violência.
Responsabilidade do Estado em causa
A AMA sublinha que manifestar-se pacificamente é um direito constitucional e que a criminalização das vítimas não substitui a justiça nem exonera o Estado das suas responsabilidades legais e morais. Para a organização, um governo democrático deve proteger, assistir e reparar, e não silenciar ou desvalorizar o sofrimento dos seus cidadãos.
Ao promover este encontro, a Aliança Mulher ANAMOLA afirma ter dado um passo concreto na defesa da política do cuidado, da dignidade humana e da justiça social, devolvendo voz a quem foi esquecido e reforçando que a reconciliação nacional começa pelo reconhecimento das vítimas.
Conclusão:
Na Matola, ficou claro que a dor persiste — mas também a resistência de quem exige memória, justiça e humanidade.



