A Agência de Comércio e Desenvolvimento dos Estados Unidos (USTDA) confirmou oficialmente a sua intenção de apoiar o projecto de exploração de terras raras no Monte Muambe, situado no distrito de Moatize, província de Tete, centro de Moçambique. O empreendimento é liderado pela empresa britânica Altona Rare Earths, cotada na Bolsa de Valores de Londres e especializada no desenvolvimento de minerais críticos em África.
A confirmação foi tornada pública durante uma reunião de alto nível realizada na Cidade do Cabo, África do Sul, dedicada à assistência dos Estados Unidos a projectos estratégicos de mineração na África Subsaariana. Na ocasião, o director de Operações da USTDA, Thomas Hardy, sublinhou o interesse norte-americano em apoiar iniciativas que reforcem cadeias de abastecimento resilientes de minerais considerados essenciais para a economia global.
Apoio técnico e estruturação financeira
De acordo com informações divulgadas pela imprensa especializada internacional, o apoio da USTDA deverá concentrar-se na definição do enquadramento técnico e financeiro do projecto Monte Muambe, incluindo estudos de viabilidade, planeamento de infra-estruturas e modelação de cadeias de valor. O financiamento estará sujeito à formalização de um acordo de subvenção, actualmente em fase de preparação entre as partes envolvidas.
O projecto tem como principal objectivo a produção de elementos de terras raras utilizados no fabrico de ímanes permanentes de elevada potência, componentes indispensáveis para turbinas eólicas, veículos eléctricos, equipamentos electrónicos avançados e aplicações no sector da defesa. Num contexto global marcado pela crescente procura por minerais críticos, o Monte Muambe poderá posicionar Moçambique como fornecedor estratégico em mercados altamente competitivos.
Reconhecimento internacional do potencial de Monte Muambe
O director executivo da Altona Rare Earths, Cedric Simonet, considerou o anúncio como um sinal inequívoco de confiança no potencial geológico e estratégico do projecto moçambicano. Segundo o responsável, o apoio da agência norte-americana representa não apenas o reconhecimento do progresso técnico já alcançado, mas também a validação da importância geopolítica do Monte Muambe no redesenho das cadeias globais de fornecimento de minerais críticos.
Simonet acrescentou que o projecto poderá assumir um papel relevante no fortalecimento da segurança de abastecimento de terras raras e fluorita, reduzindo a dependência de mercados tradicionalmente dominantes e promovendo maior diversificação de fontes.
Diversificação mineral: fluorita e gálio em destaque
Para além das terras raras, a Altona está a avançar com estudos sobre o potencial de exploração de fluorita e gálio no Monte Muambe. A empresa aguarda os resultados laboratoriais da sua mais recente campanha de perfuração, que inclui análises detalhadas sobre a qualidade e extensão das reservas destes minerais.
A fluorita de grau ácido possui aplicações industriais estratégicas, incluindo a produção de ácido fluorídrico, fundamental para processos químicos, energias renováveis e indústria de semicondutores. Já o gálio é amplamente utilizado na fabricação de componentes electrónicos de alto desempenho, como semicondutores e tecnologias LED.
A empresa prevê que a futura estimativa de recursos minerais possa confirmar a viabilidade económica do segmento de fluorita, permitindo acelerar decisões de investimento e potencialmente antecipar a fase de produção.
Licença de longo prazo e enquadramento regulatório
O projecto Monte Muambe beneficia de uma licença de mineração válida por 25 anos, oferecendo estabilidade jurídica para o desenvolvimento das operações. A Altona já estabeleceu o seu primeiro recurso mineral em conformidade com o padrão internacional JORC, um marco técnico que reforça a credibilidade do projecto perante investidores e instituições financeiras.
Paralelamente, a empresa encontra-se a desenvolver um plano de escopo preliminar, que definirá as etapas técnicas, ambientais e económicas necessárias para a transição da fase exploratória para a fase produtiva.
Impacto económico e posicionamento estratégico de Moçambique
A confirmação do apoio da USTDA surge num momento em que Moçambique procura diversificar a sua base extractiva, tradicionalmente concentrada em carvão, gás natural e areias pesadas. A aposta em minerais críticos pode representar uma nova etapa na industrialização do sector mineiro nacional, com potencial para gerar receitas fiscais adicionais, criação de empregos especializados e transferência de conhecimento técnico.
Especialistas consideram que o envolvimento directo de uma agência governamental norte-americana poderá aumentar a visibilidade internacional do projecto, facilitando futuras parcerias estratégicas e o acesso a financiamento internacional.
Num cenário global caracterizado pela transição energética e pela digitalização acelerada, os minerais críticos tornaram-se activos estratégicos para governos e empresas. O Monte Muambe insere-se neste contexto como um activo promissor, com potencial para integrar Moçambique nas cadeias globais de valor associadas às tecnologias limpas e à indústria de alta precisão.
Estratégia continental da Altona
Para além do projecto em Moçambique, a Altona Rare Earths mantém interesses noutras jurisdições africanas, incluindo o projecto de cobre e prata Sesana, no Botsuana. A estratégia da empresa combina monetização a curto prazo de activos com potencial imediato e crescimento sustentável a longo prazo no fornecimento de minerais estratégicos.
A avaliação contínua da recuperação de gálio a partir de rejeitos de fluorita demonstra igualmente a aposta na optimização de recursos e na eficiência operacional, alinhando-se com práticas modernas de mineração sustentável.
Perspectivas futuras
Caso o acordo de subvenção com a USTDA seja formalizado, o projecto Monte Muambe poderá entrar numa nova fase de maturidade técnica e financeira, aproximando-se da decisão final de investimento. O desenvolvimento bem-sucedido desta iniciativa poderá consolidar Moçambique como actor relevante no mercado global de terras raras e minerais críticos, num período em que a segurança de abastecimento assume crescente importância estratégica.
A parceria entre a Altona Rare Earths e a agência norte-americana representa, assim, não apenas um avanço empresarial, mas também um passo significativo na integração de Moçambique nas dinâmicas globais da transição energética e da economia tecnológica. (vozurbano)






