
O Ministério das Finanças de Moçambique anunciou nesta quarta-feira, 11 de Março, que o país terá de iniciar, em Setembro de 2027, a apresentação de medidas e resultados após a saída da lista cinzenta internacional de branqueamento de capitais, conforme definido pelo Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI). A ação faz parte de uma estratégia mais ampla de sustentabilidade e reforço do sistema financeiro nacional.
“Observando estatísticas do GAFI, 40% dos países que saem da lista cinzenta regressam rapidamente. Por isso, estamos focados em criar estruturas resilientes, sustentáveis e com recursos humanos capacitados”, explicou Luís Cezerilo, director-geral adjunto do Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM).
Segundo Cezerilo, o país terá de demonstrar progressos em 26 ações-chave identificadas e atender a 12 alterações solicitadas pelo GAFI. “Não basta ter leis. É preciso aplicá-las efetivamente, garantindo investigação, acusação e recuperação de ativos obtidos de práticas ilícitas”, acrescentou.
O responsável destacou também a importância da nova estratégia de sustentabilidade 2026-2030, voltada para prevenção do financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa, recentemente aprovada pelo Governo.
A estratégia contempla cinco objetivos principais e 18 áreas de intervenção, abrangendo entidades da lei, supervisores e instituições não financeiras. Cezerilo enfatizou a necessidade de coordenação institucional e internacional, consolidação do quadro jurídico e fortalecimento da supervisão e regulação, além de promoção da transparência e integridade do sistema financeiro.
“Hoje contamos com ferramentas como a inteligência artificial, inexistentes no passado, que nos permitem monitorar e prevenir de forma mais eficaz”, afirmou. O país também planeja revisar a legislação nacional e concluir a avaliação de risco, incluindo a análise de ativos virtuais, atualizando a anterior realizada em 2022 e revista em 2023.
Moçambique entrou na lista cinzenta do GAFI em 22 de Outubro de 2022, por deficiências na prevenção do branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo. Após três anos de ajustes e reformas, o país conseguiu sair da lista em 24 de Outubro de 2025, decisão proclamada em plenária do GAFI, em Paris, França.
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