
A dívida da Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) atingiu 5.921 milhões de meticais (aproximadamente 79 milhões de euros) até setembro de 2025, registando um aumento de 0,5% nos últimos três meses, de acordo com dados oficiais do Ministério das Finanças. O crescimento é explicado por atrasos no pagamento das prestações da dívida, que contrastam com a redução de 2,4% registada no segundo trimestre do ano.
O aumento de 32,78 milhões de meticais (cerca de 437,8 mil euros) no saldo da dívida interna da estatal, entre o segundo e terceiro trimestre, reflete dificuldades persistentes de liquidez da companhia. O Governo, através de uma resolução aprovada em Conselho de Ministros em setembro de 2025, autorizou que a dívida acumulada seja paga em prestações anuais, com garantias do Estado junto de bancos comerciais, no âmbito do processo de reestruturação da empresa.
Estrutura e Garantias da Dívida
A mesma resolução permitiu ao Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) criar um veículo de propósito específico (VPE) para gerir e liquidar a dívida. Além disso, foram constituídos VPEs detidos por empresas estatais estratégicas, como Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e Empresa Moçambicana de Seguros (Emose), com o objetivo de garantir financiamento adicional para a aquisição da participação acionária da transportadora.
O Governo reiterou que todas estas medidas visam proteger a continuidade operacional da LAM e assegurar a capacidade de pagamento das obrigações financeiras da companhia, garantindo ao mesmo tempo a manutenção da frota e serviços essenciais.
Operações e Frota
Desde que suspendeu a maioria dos voos internacionais há cerca de um ano, a LAM concentrou-se nas ligações domésticas. Para minimizar os impactos da redução da frota, a companhia tem investido na aquisição e arrendamento de novas aeronaves, incluindo um Airbus A319 de 148 lugares, entregue em dezembro de 2025.
Apesar do aumento da dívida, a venda de serviços da LAM cresceu 4% em 2023, em relação a 2022, totalizando 8.813 milhões de meticais (cerca de 118,7 milhões de euros). No entanto, os prejuízos dispararam para 3.977 milhões de meticais (53,5 milhões de euros) no mesmo período, refletindo uma trajetória de perdas acumuladas e um capital próprio negativo de 19.670 milhões de meticais (aproximadamente 265 milhões de euros).
Desafios Estruturais
A LAM enfrenta há vários anos problemas estruturais, incluindo uma frota reduzida, manutenção deficiente e falta de investimento. Estes fatores contribuíram para incidentes não fatais e dificultaram a expansão operacional. A administração atual, implementada em maio de 2025, procura estabilizar a empresa, contando com o apoio do Estado e a participação estratégica de HCB, CFM e Emose como acionistas.
O Conselho de Administração destacou a necessidade de medidas estratégicas de curto e médio prazo para garantir a sustentabilidade da empresa. Entre estas, incluem-se reforço de frota, otimização da operação doméstica, gestão financeira rigorosa e cumprimento de obrigações junto de fornecedores e parceiros.
Perspectivas Futuras
Especialistas económicos sublinham que a LAM continua a ser vital para a conectividade nacional e regional. A reestruturação, embora complexa, é considerada crucial para que a transportadora aérea recupere a confiança dos passageiros e operadores internacionais. O Governo afirmou que continuará a fornecer recursos e garantias necessárias para a manutenção da operação, permitindo que a LAM cumpra com os seus compromissos legais e comerciais.
Com a dívida acumulada agora sob gestão estratégica e a entrada de novos acionistas estatais, a expectativa é de que a LAM consiga estabilizar as suas finanças nos próximos anos, mantendo o serviço aéreo nacional e preparando-se para um eventual regresso à operação internacional. _vozurbano
fonte : Lusa




