
A actual época chuvosa 2025/2026 deixou um rasto pesado de destruição em várias regiões de Moçambique, com mais de 232 mil pessoas afectadas, 103 óbitos confirmados e 96 feridos, segundo o mais recente balanço divulgado pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com os dados oficiais, as cheias e inundações atingiram 232.239 pessoas, correspondentes a mais de 46 mil famílias, muitas das quais perderam habitações, meios de subsistência e acesso a serviços básicos. O impacto sobre o parque habitacional é significativo: mais de 33 mil casas foram inundadas, das quais 10.884 ficaram parcialmente destruídas e 4.615 totalmente em ruínas.
A gravidade da situação obrigou à evacuação de 34.120 pessoas das zonas de risco. Para responder à emergência humanitária, as autoridades abriram 40 centros de acomodação, dos quais 29 continuam activos, acolhendo actualmente mais de 8.500 deslocados internos.
O sector social e educativo também foi duramente afectado. O relatório do INGD indica que cerca de 50.974 alunos e 865 professores estão a sofrer impactos directos das cheias. No total, 153 escolas foram atingidas, resultando em danos em 464 salas de aula, comprometendo o normal funcionamento do ano lectivo em várias localidades.
As infraestruturas sociais registam igualmente prejuízos relevantes, com 15 unidades sanitárias e 44 casas de culto danificadas, situação que dificulta o acesso a cuidados de saúde, assistência comunitária e apoio espiritual às populações afectadas.
No sector produtivo, as perdas são expressivas. Mais de 81 mil hectares de áreas agrícolas foram afectados pelas inundações, dos quais cerca de 20.910 hectares são considerados totalmente perdidos, prejudicando directamente 18.155 agricultores. A pecuária também sofreu um duro golpe, com o registo de quase 22.800 animais mortos, incluindo bovinos, caprinos e aves.
A pesca, fonte essencial de rendimento para muitas comunidades costeiras e ribeirinhas, não escapou aos danos. O balanço aponta prejuízos em 102 embarcações e mais de 1.400 artes de pesca, afectando a capacidade de subsistência de dezenas de famílias.
As cheias provocaram ainda sérios constrangimentos nas infraestruturas do país. Mais de 2.000 quilómetros de estradas foram afectados, com dezenas de pontes e aquedutos danificados, resultando no isolamento de várias comunidades. O fornecimento de serviços básicos foi igualmente comprometido, com a queda de 106 postes de electricidade e danos em sistemas de abastecimento de água.
As autoridades alertam que o número de afectados poderá aumentar caso as chuvas persistam, apelando à colaboração da população e ao reforço das acções de prevenção, assistência humanitária e reconstrução nas zonas mais vulneráveis. (VUNDO SMS)






