Os mercados petrolíferos iniciaram a semana com relativa calma, apesar do agravamento das tensões geopolíticas no continente americano e da incerteza persistente no Leste europeu. Os investidores optaram por uma postura cautelosa, equilibrando os riscos políticos com a percepção de que, no curto prazo, a oferta global de crude continua suficiente para responder à procura internacional.
No centro das atenções está a crescente pressão exercida por Washington sobre Caracas. A administração norte-americana intensificou o discurso contra o Governo venezuelano, defendendo uma mudança política no país e reforçando a fiscalização sobre navios que transportam petróleo venezuelano. O Presidente dos Estados Unidos deixou claro que o crude apreendido poderá ser incorporado nas reservas estratégicas norte-americanas, numa medida que eleva o tom do confronto energético entre os dois países.
Ainda assim, a eficácia desse cerco tem sido limitada. Informações recentes indicam que várias embarcações continuam a operar e a carregar crude nos portos venezuelanos, contornando a vigilância imposta. Este factor tem contribuído para travar movimentos bruscos nos preços internacionais, reduzindo o impacto imediato das declarações políticas no mercado.
No contexto africano, a estabilidade do petróleo é acompanhada com atenção redobrada. Países produtores como Nigéria, Angola e Guiné Equatorial dependem fortemente das receitas do crude para sustentar os seus orçamentos, enquanto economias importadoras, como Moçambique e Senegal, beneficiam de preços controlados para aliviar a pressão inflacionária sobre combustíveis e transportes. A manutenção dos valores actuais oferece algum alívio fiscal, mas não elimina os riscos associados a choques geopolíticos repentinos.
Durante a sessão, o Brent manteve-se próximo dos 62 dólares por barril, enquanto o WTI oscilou em torno dos 58 dólares, reflectindo um mercado em equilíbrio frágil, à espera de sinais mais claros tanto do tabuleiro político internacional como das negociações em curso sobre o conflito entre a Rússia e a Ucrânia.
De acordo com o Diário Económico, o comportamento contido dos preços mostra que os operadores continuam a privilegiar dados concretos sobre oferta e procura, em detrimento de declarações políticas isoladas, pelo menos enquanto não houver interrupções físicas significativas no fluxo global de petróleo.
A curto prazo, o mercado segue atento, consciente de que qualquer escalada mais dura nas sanções ou um agravamento dos conflitos internacionais poderá alterar rapidamente este cenário de aparente estabilidade.






